Dra. Gabriela
Setembro 24, 2026

Uma torção no tornozelo pode, à primeira vista, parecer apenas um contratempo dolorido do dia a dia, e o natural é que se espere passar. É importante ter em mente, porém, que nem toda entorse de tornozelo é simples – e que algumas lesões deixam sequelas caso não haja avaliação especializada do caso.
Entenda abaixo o que pode acontecer durante uma entorse de tornozelo, o que fazer logo em seguida e quais sinais pedem atenção médica para evitar complicações a longo prazo:
A dor em uma entorse vem da força que a torção exerce sobre as diversas estruturas do tornozelo, como ligamentos, cartilagem, tendões e, em alguns casos, até o osso. Quando o pé vira de forma brusca, o tornozelo torcido submete essas estruturas a uma carga maior que a suportada, gerando desconforto e até lesões.
Os sintomas variam de acordo com a estrutura afetada e a gravidade da lesão, mas, em geral, é possível perceber questões como dor na região, inchaço, hematoma (mais visível 48 horas após a torção) e dificuldade para caminhar.
A imagem mostra os principais ligamentos que estabilizam o tornozelo e que podem ser lesionados após entorses, uma das condições mais avaliadas pelo ortopedista de pé e tornozelo em São Paulo.
Uma entorse pode afetar estruturas diferentes do tornozelo dependendo da intensidade do trauma e de como ele aconteceu. Nesse contexto, as consequências mais comuns incluem:
A lesão ligamentar do tornozelo (estiramento ou rompimento) é a consequência mais comum de uma entorse e atinge especialmente os ligamentos talofibular anterior e calcaneofibular, na parte externa da articulação.
Esse tipo de lesão é classificada em diferentes graus a depender da gravidade. No grau 1, o que acontece é um estiramento leve. Já no grau 2, o que ocorre é uma ruptura parcial do ligamento. Por fim, o grau 3 contempla ruptura total de um ou mais ligamentos.
Quanto mais intensos são os sintomas (dor, inchaço e dificuldade para andar), maior tende a ser a gravidade da lesão.
Entorses mais intensas podem lesionar a cartilagem que reveste os ossos do tornozelo, algo que se conhece como lesão osteocondral. Ela pode passar despercebida no início, e é uma das causas mais comuns de dor persistente mesmo após muito tempo desde a torção.
Os tendões fibulares, que passam ao lado do tornozelo, também podem sofrer as consequências de uma torção. Às vezes, inclusive, isso acontece em paralelo a lesões ligamentares.
Como o tratamento dessas lesões é diferente, identificar a lesão de maneira correta é o que melhora as chances de um bom resultado após o tratamento.
Em alguns casos, o mesmo movimento que estira ou rompe um ligamento também é capaz de causar uma fratura em um osso próximo. Isso acontece especialmente em ossos como o maléolo ou a base do quinto metatarso.
As fraturas acontecem na minoria dos casos, mas é imprescindível investigar se elas existem, pois a conduta de tratamento pode mudar.
Logo depois de torcer o tornozelo (nas primeiras 48 horas após o acidente), recomenda-se:
Nesse contexto, o uso de anti-inflamatórios também pode ajudar a reduzir a dor e o inchaço nos primeiros dias, mas seu uso depende de orientação médica. Além disso, para não piorar o inchaço, é importante evitar:
A capacidade de apoiar o pé é, na prática, um dos primeiros sinais que ajudam a diferenciar uma entorse leve de um acidente mais sério. Por exemplo: uma pessoa que torce o pé e ainda consegue caminhar mesmo com desconforto costuma ter uma lesão mais leve – e de recuperação mais simples.
Alguns sinais de que a entorse foi grave incluem:
Apesar dos sinais ajudarem a descobrir se é grave, o diagnóstico preciso ocorre apenas a partir de exames. Diante desses sintomas, o médico pode solicitar uma radiografia para descartar fratura, mas nem toda entorse precisa desse exame. Já a ressonância magnética entra em cena quando a dor persiste após algumas semanas, visando investigar lesões que a radiografia não mostra (como lesões ligamentares).
Procure avaliação médica após uma entorse se:
Além disso, entorses que se repetem no mesmo tornozelo também merecem avaliação, mesmo que cada episódio pareça leve e isolado.
O tratamento de entorse no tornozelo costuma ser conservador, e a maioria dos casos não requer cirurgia. Essa conduta ocorre em etapas, e a definição do que entra em cada uma depende da gravidade da lesão. Aqui, é importante frisar que uma recuperação bem conduzida é o que evita que a lesão inicial se transforme em um problema recorrente.
Em casos leves, a recuperação da entorse de tornozelo segue, em geral, três fases: controle da dor e do inchaço nos primeiros dias, retomada da mobilidade e da força nas semanas seguintes, e retorno gradual às atividades.
Entorses leves costumam melhorar em um período de uma a duas semanas, enquanto as moderadas podem levar de três a seis semanas, e as mais graves podem levar até alguns meses. É importante saber que, mesmo em lesões leves, a dor e o inchaço não somem de uma vez e podem levar semanas para sumir completamente sem que isso seja um sinal de alerta.
Quanto à retomada de atividades de impacto (como corrida, por exemplo), é imprescindível esperar a recuperação total de força, equilíbrio e estabilidade, diminuindo as chances de haver uma lesão recorrente.
A reabilitação muda de acordo com a estrutura afetada pela entorse. Nas lesões ligamentares, pode haver recomendação de fisioterapia para recuperar força e equilíbrio, incluindo exercícios que ajudam a evitar novos episódios de entorse.
Já nas lesões de cartilagem, o tratamento inicial costuma ser conservador, com imobilização e restrição de carga no início e retomada gradual do apoio com fisioterapia na sequência.
Enquanto isso, as lesões de tendão pedem fortalecimento direcionado e, em alguns casos, um período de imobilização antes do início da fisioterapia. Por fim, fraturas seguem protocolo próprio e personalizado, pois depende do tempo de consolidação óssea.
Nesse ponto, é importante esclarecer que, em qualquer que seja o caso, pular etapas da reabilitação é uma das razões mais comuns para persistência da dor ou instabilidade da articulação.
A cirurgia de tornozelo entra em cena em uma parcela pequena dos casos, geralmente após ao menos seis meses de tratamento conservador bem conduzido, mas sem melhora, ou diante de lesões associadas que exigem um procedimento de correção (como fraturas).
Aqui, os procedimentos mais comuns incluem a reconstrução ligamentar (usada para tratar instabilidade crônica associada a outros sintomas), a artroscopia de tornozelo (usada para tratar lesões de cartilagem e remover fragmentos soltos na articulação) e a fixação cirúrgica do osso caso haja fratura. Os dois primeiros procedimentos costumam ocorrer juntos, quando a cirurgia é uma necessidade.
A instabilidade do tornozelo costuma surgir quando a reabilitação de uma entorse anterior não foi completa. Isso porque, nesses casos, o ligamento pode cicatrizar de forma diferente do natural, perdendo a capacidade de segurar a articulação no lugar.
Esse cenário passa a causar a sensação de que o tornozelo “falha” com muita facilidade mesmo em superfícies regulares, aumentando as chances de uma nova lesão. Isso é o que se conhece como entorse de repetição – e cada novo episódio aumenta o risco de problemas associados que afetam cartilagem, ossos e mais.
Mas, afinal, quando procurar um médico após uma entorse? A resposta é: sempre que houver dificuldade para apoiar o pé, inchaço fora do comum e dor que não melhora após os cuidados iniciais. Além disso, entorses repetidos, mesmo que pareçam leves, também merecem atenção especializada.
Como especialista em pé e tornozelo em São Paulo, avalio cada entorse de forma individualizada, unindo exame físico e, quando necessário, exames de imagem, para identificar exatamente quais estruturas foram comprometidas pelo acidente. Atendo na região Central de São Paulo, como foco em diagnóstico preciso e reabilitação completa. Agende sua avaliação!
A Dra. Gabriela Kock é ortopedista especialista em pé e tornozelo, com formação pela Santa Casa de São Paulo e subespecialização no HC-FMUSP. Atua no diagnóstico e tratamento de entorses, lesões ligamentares, instabilidade crônica e lesões esportivas no tornozelo, unindo experiência em técnicas minimamente invasivas e artroscopia a uma visão construída também no esporte de alto rendimento.
Ela oferece tratamento de entorse de tornozelo em São Paulo, atendendo como ortopedista no Centro (Santa Cecília) e na Zona Norte (Santana). Cada avaliação é conduzida de forma individualizada, desde o diagnóstico até a recuperação completa.
O tempo de recuperação varia de acordo com a gravidade da lesão. Entorses leves costumam melhorar em uma a duas semanas, enquanto as moderadas levam de três a seis semanas, e as mais graves podem levar alguns meses até a recuperação completa.
A recuperação total, incluindo retomada de força, equilíbrio e estabilidade, costuma levar mais tempo do que o simples desaparecimento da dor.
Só o exame físico feito por um especialista confirma isso com segurança, mas sinais que aumentam a suspeita incluem: dor intensa na lateral do tornozelo, inchaço e hematoma importantes, e dificuldade real para apoiar o pé. Em caso de dúvida, a ressonância magnética é o exame que mais ajuda a confirmar a lesão (e o grau dela).
Um inchaço leve pode persistir por algumas semanas mesmo em entorses simples, mas inchaço importante ou que não reduz de forma progressiva merece investigação. Isso porque esse sintoma pode indicar que a lesão foi mais extensa do que se imaginava, ou que existe uma lesão associada, como dano à cartilagem.
Isso geralmente indica instabilidade do tornozelo – ou seja: situações em que os ligamentos cicatrizaram de forma alongada, ou em que a reabilitação não foi completa, deixando a articulação sem o suporte necessário. Entorses de repetição são o principal sinal desse quadro e merecem avaliação especializada.
Na maioria das vezes, não precisa. A cirurgia entra em cena depois de pelo menos seis meses de tratamento conservador bem conduzido sem melhora, em casos de instabilidade crônica sintomática, ou quando existe lesão associada (como fratura ou dano importante à cartilagem) que exige correção direta.
Agende sua consulta com a Dra. Gabriela Kock, ortopedista especialista em pé e tornozelo em São Paulo. Atendimento na Zona Norte e Centro para diagnóstico, tratamento e cirurgia.